quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

A porta estreita

A porta estreita

Emmanuel


Aceitemos a dificuldade por mestra amorável, se esperamos que a vida nos entregue os seus tesouros.

Sem a porta estreita do obstáculo não conseguiríamos medir a nossa capacidade de trabalho ou ajuizar quanto à nossa fé.

As lições do próprio suor são as mais preciosas.

Os ensinamentos hauridos na própria renúncia são aqueles que se nos estampam na alma, no campo evolutivo.

Ouvimos mil conselhos edificantes e sorrimos, ante o fracasso iminente.

Basta, porém, por vezes, uma pequena dor para que se nos consolide a cautela à frente do perigo.

Com discernimento louvável improvisamos prodigiosos facilitários de felicidade para os outros, indicando-lhes o melhor caminho para a vitória no bem ou para a comunhão com Deus, entretanto, à primeira alfinetada do caminho sobre nossas esperanças mais caras, habitualmente, nos desmandamos à distância do equilíbrio justo, espalhando golpes e lágrimas, exigências e sombras.

Saibamos, no entanto, respeitar na “porta estreita” que o mundo nos impõe o socorro da Vida Maior, a fim de que possamos reconsiderar a própria marcha.

Por vezes, ela é a enfermidade que nos auxilia a preservar as vantagens da saúde, em muitas fases de nossa luta é a incompreensão alheia, que nos compele ao reajuste necessário; em muitos passos da senda é a prova que nos segrega no isolamento, impelindo-nos a seguir pela escada miraculosa da prece, da Terra para os Céus...

Por vezes o abandono de afeições muito amadas a impulsionar-nos para os braços de Cristo em variadas circunstâncias, é o desencanto ante a enganosa satisfação de nossos desejos na experiência física, inspirando-nos ideais mais altos e, em alguns casos, é a visitação da morte que nos abriga a refletir na imortalidade triunfante...

Por onde fores, cada dia, agradece a dificuldade que nos melhore e nos eleve à grande renovação.

Jesus não escolheu a larga avenida do menor esforço.

Da Manjedoura ao Calvário, movimentou-se entre os obstáculos que se transfiguraram para Ele em degraus para a volta ao Pai Celestial e, aceitando na cruz, a sua maior mensagem de amor à Humanidade de todos os séculos, legou-nos, com exemplo vivo, a porta estreita do sacrifício como sendo o nosso mais belo caminho de paz e libertação.

Emmanuel por Chico Xavier do livro:
Abrigo
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terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Movimentação dos pensamentos

Movimentação dos pensamentos

Miramez


Consideremos a nossa mente como um fulcro de forças capaz de servir a alma como fonte da formação de pensamentos que entram e saem com determinada finalidade. Quando educados, podem estabilizar a consciência e fazerem felizes os corações; quando em desequilíbrio criam na mente distúrbios inexplicáveis, porque em cada criatura se modificam as reações dos impulsos inferiores. O pensamento ainda é mistério para os homens, senão para muitos Espíritos desencarnados.

Não devemos nos esquecer de apreciar nossas ideias ao surgirem na nossa mente, para que possamos entender as suas sutilezas, como suas ações e reações em nós mesmos: somos o que pensamos, comemos o que pensamos, bebemos o que pensamos, respiramos o que pensamos... e, por essa linha de conduta, podemos apreciar as outras sequências de ideias.

De tua mente tanto saem pensamentos revestidos pelos teus sentimentos, como entram na engrenagem do teu ser pensamentos exteriores capazes de te inspirar, com as vibrações com que foram criados. Eis que deves observar o que entra em tua casa mental, agregando-se em teu ser, como o ladrão que pode te roubar certas qualidades que, por certo, estás criando ou despertando na tua consciência.

Os pensamentos de fora podem desarticular a tua paz, que vem te custando caro para ser estabilizada. É de bom alvitre descobrir esses agentes do mal que te procuram, encontrando, por vezes, sintonia. Os pensamentos, principalmente os dos Espíritos, que não alcançaram a libertação pela verdade, têm intervalos entre si, espaços esses que podem ser maiores ou menores, de acordo com a elevação da alma. E são nestes intervalos que eles, os pensamentos de fora, entram a nos inspirar, pelo modo com que foram formados; mas, o bom analista sabe e conhece seus filhos mentais, e recusa o inquilino malfeitor. Certamente que pensamentos bons também podem se agregar a nossa mente, pela sintonia de sentimentos; esses são companheiros que aparecem acendendo luzes e são benvindos ao coração. Por esse motivo, devemos saber abrir as portas mentais para os viajantes portadores do amor e da paz.

A obsessão não se faz somente através de ligações com Espíritos desencarnados; pode acontecer por pensamentos-formas, que viajam pelos espaços à procura de ambientes adequados. Estudemos esses princípios, que seremos livres das agressões mentais dos outros que ignoram a verdade. O nosso dever é sedimentar virtudes que nos elevam, firmando na nossa mente a harmonia com Jesus, para que possamos encontrar a felicidade, porque ela não se encontra a distância, nem em outros mundos. A sua verdadeira fonte está dentro da alma à nossa espera, sendo a porta o Cristo e a chave está em nossas mãos.

O querer e a maturidade espiritual criam o fenômeno que se chama glória da alma, ensejo dado por Deus a todas as almas, suas filhas do coração. Os pensamentos que entram e saem de nossas mentes se alojam no lugar em que encontram afinidade e aí permanecem por tempo indeterminado.

Os mentores espirituais, pelos nossos esforços, costumam usar desses pensamentos inquilinos em transformação, de acordo com as necessidades que, natureza requer, para o bem geral. No entanto, precisam do esforço de quem padece a invasão dessas ideias exteriores. Poder-se-ia avaliar quantos pensamentos-formas existem dentro das almas em lutas pela Terra? E como se o céu da consciência fosse invadido pelas aves mentais dos outros, como igualmente as nossas estivessem voando em outras áreas que correspondem às nossas vibrações. São trocas que, por vezes, não compensam.

Comecemos a educar nossos sentimentos, que a ajuda virá para nós de todos os lados, limpando e fazendo limpeza no nosso mundo interno, para que a verdade se apoie no centro da nossa vida, libertando-nos de todas as paixões inferiores, assimilando a vida na pauta da vida maior.

O mundo se encontra povoado pelos pensamentos-formas, cada um com as suas vibrações especificas, correspondendo aos sentimentos pelos quais foram criados e se ajustando nas mentes com as quais sintonizam. Vejamos o cuidado que devemos ter nos impulsos que surgem a todo o momento na nossa mente! Pensemos, nessas horas, em Jesus, orando com sinceridade, para que possamos selecionar sugestões que nos vêm.

O "educar e instruir" da Doutrina dos Espíritos é no sentido de abrirmos as portas mentais, deixando sair pensamentos nobres e fechando-as quando eles não são filhos do Evangelho de Jesus. Que Deus nos abençoe sempre neste esforço.

O nosso dever é sedimentar virtudes que nos elevam, firmando na nossa mente a harmonia com Jesus.

Miramez por João Nunes Maia do livro:
Horizontes da Vida

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segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Em torno do desconhecimento espiritual

Em torno do desconhecimento espiritual

Camilo



O mundo encontra-se convulsionado, nestes tempos presentes, porque a alma humana também excitada se acha.

Nada obstante, raro foi o período em que o homem tenha consentido um nível de vida reconfortante e pacífico sobre o planeta, dando uma oportunidade à verdadeira saúde social.

Embora os estudiosos dedicados da Sociologia, da Antropologia e das ciências políticas busquem, honestamente, identificar os fundamentos das tormentas que explodem na Terra, dificilmente atinarão com a realidade, tendo-se em vista o caráter materialista assumido por esses nichos de conhecimentos acadêmicos, mesmo diante das vozes da Espiritualidade que periodicamente se fazem ouvir em todas as áreas do planeta.

Pautados pelo materialismo que costumeiramente facilita o movimento do intelecto para as teses ateístas ou mesmo para as niilistas, retirando cada vez mais o chão necessário aos indivíduos para a indispensável estabilidade íntima e para a compreensão da existência, seguem os indivíduos entre extravagâncias e insanidades, passando a crer que tudo começa e se conclui no curto intervalo de uma existência no corpo físico.

Afirmar-se-á que esses processos de convulsão social, de violências domésticas ou urbanas, e também os processos de guerra - como representação da mais gritante violência - têm suas raízes, que podem ser conhecidas nos registros históricos que nos são apresentados, trazendo as peripécias dos humanos, desde os tempos mais longevos, e que cabe às representações fortes das sociedades organizadas contemporâneas desenvolver estruturas tais em seu seio, e ainda trabalhar ideologias quais em seus estudos e práticas, de modo a transformar as influências desses referidos dados históricos.

Toda pessoa atilada, que cultive o bom senso e que seja amante das maduras reflexões, entenderá que, em verdade, na antropologia e na história do mundo estarão, de fato, valiosas explicações para que se compreenda a psicologia, os campos de crenças ou de descrenças, dos valores em geral, que marcam os dias atuais da Humanidade. Mas, na mentalidade cultural do presente, encontrará empeços para justificar situações ponderáveis e ocorrências graves que têm lugar no cerne da alma, como indivíduo que é. Faltarão elementos de substancial apoio às teses geradas pelo intelecto acadêmico, voltado vastas vezes para o imediato.

O que se passa é que, nada obstante os progressos científicos, os avanços da tecnologia, bem como as adaptações empreendidas nas escolas de sociologia ou nos sistemas de administração do mundo há faltado o suporte da consciência espiritual nas ilações dos estudiosos diversos. Falta alma - e as análises de suas missões e transcendência - nas cogitações da mentalidade comuns da Terra.

Há que se admitir que a matéria por si só não tem nenhuma razão de ser. Nenhuma utilidade apresentará em si própria, caso não compareça nos cenários do planeta como instrumento de trabalho e de progresso a ser utilizado pela comunidade terrena.

O Criador dos mundos situou a alma imortal junto à matéria e suas derivações teóricas, de modo a permitir que o homem se exercite em entendê-las e dominá-las, empenhado em imprimir sobre essa mesma matéria as características que haja desenvolvido ou os saberes que lhe ornem o intelecto. Cabe, então, à alma terrestre usar os conhecimentos adquiridos e as habilidades de realizar trabalho, a fim de disciplinar os mais distintos fenômenos materiais que ocorrem sob os céus do mundo.

Enquanto a criatura humana não alcançar o conhecimento quanto a sua realidade espiritual; enquanto não admitir que não nos achamos na Terra por força da casualidade, e que há um planejamento da Divindade para o nosso progresso individual e para o nosso avanço no grupo social, será muito difícil consertarmos as linhas distorcidas da vida terrena.

É por isso que o planeta se acha costumeiramente em plena convulsão, por falta de espiritualidade nas cogitações do pensamento humano.

A alma em convulsão atira-se nas valas do desespero, sempre que não consegue compreender ou deter as experiências desafortunadas em que vive.

A alma em convulsão não encontra motivos para valorizar o corpo, a saúde e a vida, lançando-se aos marnéis dos vícios e da dependência toxicológica, como quem deseja fugir dos monstros que lhe infestam o pensamento, gerados pela ignorância, e que não consegue decifrar.

A alma em convulsão vê a família e a interpreta como um peso que deve arrastar, com enfado, caminho afora, ou como um grupo de pessoas que a deve suportar, tanto em suas inseguranças quanto em seus atropelos e desarmonias.

A alma em convulsão converte a honra de administrar a coisa pública em favor do bem geral, em propriedade privada da qual lança mão sem prestar contas, indevida quão abusivamente, ajuntando maior soma de complexos quão duros resgates para o porvir.

A alma em convulsão, uma vez tendo conseguido o cetro do poder temporal, transfaz-se em discricionária déspota, impondo às massas seus caprichos e suas frustrações, desrespeitando a excelsa oportunidade de tornar-se mãos, ouvidos e olhos do Criador, na orientação e proteção dos irmãos sob seus cuidados. Gera, assim, gravíssimas torturas espirituais, a partir das situações de culpa e de remordimentos que passarão a perturbá-la.

A alma em convulsão desdenhará da ideia de Deus, e zombará dos que nessa crença se apoiam, porque admite que a concepção de um Criador universal não passe de quimera que entretém as consciências frágeis ou inseguras dos seres.

Tornam-se compreensíveis, então, as múltiplas razões pelas quais o mundo terreno estertora; por que se espalham tantas dores e infelicitam tantas frustrações por toda parte; por que não se tem conseguido equacionar os dramas sociais e os desarranjos morais, o que abre espaços para a desesperança, para a violência e sua mais torpe expressão, que achamos nas guerras fratricidas.

Somente quando o coração humano se deixar encharcar pelos olorosos e nutritivos néctares da espiritualização, os olhos da ciência terão a necessária luz para penetrar mais profundos conhecimentos; os ouvidos da história registrarão a saga da Humanidade com mais lucidez, enquanto os pés do progresso seguirão mais rapidamente para o encontro, que não se deve mais adiar, da alma humana com a saúde plena e com a paz interior, que se externarão e contagiarão a Humanidade, completamente.

Camilo por J. Raul Teixeira do livro:
O Tempo de Deus

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domingo, 18 de janeiro de 2026

Crescimento, não martírio

Crescimento, não martírio

Hammed


"Não olvideis que o objetivo essencial, exclusivo, do Espiritismo é vosso adiantamento, e é para alcançá-lo que é permitido aos Espíritos vos iniciar quanto à vida futura, vos oferecendo exemplos que podeis aproveitar. Quanto mais vos identificardes com o mundo que vos espera, menos lastimareis aquele em que estais agora. Esse é, em suma, o objetivo atual da revelação". (O Livro dos Médiuns - 2ª Parte - cap. XXVI, item 292-22.)
O termo arquétipo se origina do grego e quer dizer "o que é impresso desde o início". Ainda na Antiguidade, passou a significar também as "formas imateriais" ou o "mundo das ideias", na concepção de Platão.

Carl Gustav Jung denomina de "arquétipos" as imagens primordiais, definindo-os como matrizes sem conteúdo próprio que servem para estruturar ou dirigir o material psicológico - elementos organizadores, modelos ou formas universais - profundamente gravado no inconsciente coletivo de toda criatura humana. O "arquétipo" pode ser exemplificado como uma espécie de canal seco escavado por um curso d'água, o qual, à medida que o leito comece a ser novamente banhado, organiza e modela inteiramente as características do rio. São condutores ou orientadores do comportamento e das atividades mentais.

Os "arquétipos" se firmam no inconsciente, só surgindo no consciente através de figuras, de representações ou de sonhos, como conteúdos arquetípicos. Manifestam-se como estruturas psíquicas universais, inatas (não aprendidas), com possibilidades de reproduzir ideias semelhantes nas criaturas humanas; por isso, aparecem coletivamente, de forma simbólica, na literatura, nas artes e nos mitos de todos os povos.

A expressão inconsciente coletivo, segundo o conceito junguiano, é uma herança psicológica, um tipo de memória da raça ou da espécie, onde se encontram conteúdos de estrutura psíquica, padrões universais ou arquétipos existentes na intimidade de todos os seres humanos.

Essas ideias de Jung muito se afinam com certas conceituações da Doutrina Espírita. Por exemplo: o Espírito, ao reencarnar, traz consigo valores, conhecimentos e experiências acumuladas através da noite dos tempos. Nasce equipado com um arcabouço psicológico - repertório de estruturas mentais em forma de vocações, tendências, sentimentos e ideias -, que, em contato com o meio ambiente da atual encarnação, se manifesta espontaneamente, sem que a criatura se aperceba, aparecendo até mesmo nas situações mais corriqueiras do seu mundo diário.

A noção espírita das "Vidas sucessivas" considera que toda criança, no instante do nascimento, traz em si conteúdos psicológicos em potencial. O ambiente e as pessoas com quem e onde ela convive só podem aprimorá-la, não determinando integralmente seu jeito de ser, agir e pensar. Na criança apenas desperta o que já existia nela, ou seja, seus arquivos da alma, armazenados no corpo perispiritual. O Espírito encarnado veste uma roupagem - sua personalidade atual - e vivência diversas personalidades, interpretadas no "teatro da vida", palco das múltiplas existências.

Não obstante encontrarmos uma ampla variedade de "arquétipos", classificados por Jung e sucessivamente por seus discípulos ou seguidores, analisaremos, aqui, o "arquétipo do herói", encontrado nos clássicos, nos dramas, nas poesias e nos livros sagrados das mais antigas culturas, em forma de lendas e de epopeias mitológicas. No entanto, é importante ressaltar que as características pessoais da personalidade humana apresentam alterações naturais e compreensíveis nas configurações dos "arquétipos", devido ao grau evolutivo ou ao padrão psicológico em que estagia.

Quem tem um "herói" dentro de si tem igualmente um outro lado, um "mártir". As pessoas em cuja existência predomina o "arquétipo do herói" vivem heroicamente estressadas. Caminham com a fronte projetada de forma imponente e o corpo (guerreiro) inclinado para frente como se estivessem sempre prontas para lutar. Exigem perfeição de si mesmas e daqueles que estão em sua volta. Não expressam sua verdadeira realidade, ou seja, não querem ser ou não querem viver como são - seres humanos. Inconscientemente, acreditam que são super-homens. Rejeitam o processo natural que nos impôs o Criador: viver a normalidade da natureza humana.

Em contrapartida, a recíproca é verdadeira. A criatura que vive de modo intenso numa estrutura mental de "herói" irá gerar, consequentemente, uma estrutura oposta - o culto à dor e ao martírio. Essas estruturas se interagem. Ora a personalidade está numa crise de "heróica bravura", ora na crise de "sofredora impotente".

Ao longo dos tempos, muitos de nós desenvolvemos a crença de que nos privando das alegrias da vida, cultuando o sofrimento, não cuidando de nós mesmos, sendo austeros e mártires, desempenharíamos bem nossa missão terrena e, como resultado, estaríamos cumprindo nossa tarefa mediúnica.

Não há glória em sofrer por sofrer! Não existe nenhuma recompensa em cultuar a dor; na verdade, não estamos aqui para mostrar como temos sido padecentes, mas sim para aprendermos como cessar as amarguras que nos afligem, como crescermos espiritualmente, como superarmos nossos pontos fracos e como recuperarmo-nos dos equívocos, prosseguindo no cultivo do progresso interior, com tranquilidade e satisfação de viver.

"Não olvideis que o objetivo essencial, exclusivo, do Espiritismo é vosso adiantamento, e é para alcançá-lo que é permitido aos Espíritos vos iniciar quanto à vida futura (...)".

É importante observarmos que, segundo os Guias da Humanidade, a principal e específica finalidade da manifestação dos Espíritos é nosso adiantamento; em virtude disso, "ser médium" tem como ponto fundamental e indispensável a edificação do Reino dos Céus dentro de nós mesmos. Portanto, para ser médium não é necessário ser herói nem mártir, mas simplesmente cultivar o mundo interior - a melhoria pessoal. "(...) Esse é, em suma, o objetivo atual da revelação".

Os seres humanos são pluridimensionais, guardando no reino interior características comuns a todos, representadas pelos subprodutos do conjunto dos "arquétipos" presentes em sua estrutura psíquica.

Sensitivos ou não, todos temos matrizes ou imagens de heróis ou de mártires profundamente arraigadas em nossa intimidade. A mentalidade heroica é um mito elitista, que tem como princípio a personificação de que certas pessoas nasceram privilegiadas e para serem servidas.

Enquanto o "ideal martirizante" modela as pessoas para o sacrifício e para uma abnegação exagerada para agradar a Deus, visando a uma troca para adquirir a salvação eterna, o "papel de vítima" costuma ser usado, em muitas ocasiões, para dissimular uma grandeza inexistente na alma. Oculta igualmente uma máscara de resignação, para que o indivíduo não descubra ou não tome consciência do que ele realmente é.

Jesus Cristo, o Médium de Deus, entregou-se ao holocausto em prol da missão de amor pela humanidade, que para Ele foi a plenitude da implantação de uma vida consciente e amorosa em todas as criaturas da Terra. É compreensível que muitas almas sublimadas se entreguem a atos heroicos ou ao martírio de si mesmas, para a exemplificação e glorificação dos ideais superiores da Divina Providência. O Mestre, porém, não se deixou crucificar para ser reconhecido como herói ou mártir, mas para semear os princípios da "sabedoria que eleva" e do "amor incondicional" no coração de todas as criaturas.

Os médiuns devem exercitar a capacidade de distinguir entre o "sacrifício regenerador" e o "indispensável sofrimento" causado pela fraqueza e pela credulidade, filhas das crenças injustas e absurdas.

Na vida, cada ser está estagiando num determinado grau evolutivo; por isso existem diversas missões e inúmeros encargos nos caminhos existenciais.

Médiuns! Qual é o seu conceito sobre mediunidade? Vocês a veem como método educacional ou como uma exaltação à dor? Será que sua vivência atual (heroísmo ou martírio) é um produto necessário a seu desenvolvimento e crescimento espiritual, ou simplesmente fruto de uma autopunição ou de um autoengano?

Hammed por Francisco do Espírito Santo Neto do livro:
A imensidão dos Sentidos

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